Começamos por ser bebés, depois crianças, depois adolescentes. Tivemos uma família e educação, melhor ou pior. Mas chega uma altura em que ficamos sozinhas e é bom encontrarmos aquelas frases luminosas capazes de acender em nós qualquer coisa que fique connosco e faça parte de nós; frases que nos recordem o caminho certo, que nos dêem o impulso necessário para escalar a montanha que todos temos de subir...Por isso eu sou... UM LABIRINTO DE EMOÇÕES
Laura
estava tranquilamente no escritório, embrenhada nos seus papéis, quando o tlm
tocou com uma mensagem…”Queres tomar um inocente cafezinho no Cais do Sodré?” –
Meu Deus… o coração disparou-lhe!
Não
conseguiu fazer mais nada, a cabeça às voltas para saber como inventar uma
desculpa e sair mais cedo.
Cruzou
os dedos, esperando que nenhum "castigo
divino" lhe caísse em cima…(desculpou-se com a mãe que já era bastante idosa) e,
quase a correr, saiu para apanhar o autocarro.
Apanhou
um, que afinal chegou a baixa e não seguia para a estação do Cais do Sodré, mas
ia em sentido inverso…, quando se apercebeu, saiu, meia tonta, procurando um
táxi, para não o fazer esperar.
Quando
o táxi deu a volta no Largo, viu… todo de branco encostado a parede da estação.
Aquele
era o seu Orixá!
Ele
que já a tinha encantado com tantas letras trocadas, ali estava em carne e osso – com as pernas a tremer saiu
do táxi – num nervosismo infantil sem explicação, e sem o conseguir disfarçar…
O
seu misticismo e sensualidade de escrita o seu tom de voz há muito que lhe
tirava o sono…
-
Depois de longas conversas com ele, umas sérias outras na paródia, de ouvirem
horas da musica que ambos tanto gostavam, ela deitava-se com a imaginação
latejante, de como seria o homem que encarnava um ser tão diferente do comum
mortal … e pensava que conhecer uma pessoa como ele, era um bálsamo.
Era
difícil encontrar um homem com aquela inteligente sensibilidade e o
conhecimento e amor pelos animais e pela natureza.
Sentiu
aquele abraço gostoso e apeteceu-lhe ficar assim, sem se mexer, em silêncio,
apenas a ouvir a respiração… parecia uma adolescente com mil sensações!!!
Tomaram
o inocente café, numa esplanada em frente ao rio.
Levemente
os seus dedos foram-se tocando, e de
seguida as mãos se entrelaçaram, numa cumplicidade muda, com o Tejo por testemunha .
Laura não conseguia descrever
com palavras aquilo que sentia naquele momento – (as coisas boas sentem-se com
a alma, não se descrevem).
Só
sabia, que profundamente, a sua voz, o seu olhar, o calor das suas mãos… tinham
tomado conta dela!
Não
era sonho, era realidade, ele estava mesmo ali.
Entregou-se
a ele…sem ele saber!
Quando
entrou no autocarro de regresso a casa, trazia com ela o som da sua voz, o
toque, o cheiro da maresia misturado com o café…e nos lábio um beijo fugidio e
medroso…
Tinha
encontrado sem querer o seu sonho de mulher-menina e custava-lhe a acreditar
que Deus lho tivesse concedido, numa tarde quente de Junho.
Mas
era verdade… o seu sonho existia mesmo, era real e, Laura
tem a certeza que tudo o que acontecia na vida tinha um significado, nada
acontecia por acaso!
O
futuro só a Deus pertencia mas Laura não queria pensar em mais nada, apenas
reviver aquele momento, sabia que fosse qual fosse o futuro, aquele momento
seria sempre para recordar.
Porque hoje não me apetece escrever Nada... e quem sabe se escrevesse Nada de novo dizia... e, porque eu só sei que Nada sei.. .hoje faço minhas as palavras dos outros com desejos de Bom Carnaval..:-)
Pudesse
ela encontrar no silêncio o afago e a suavidade de umas mãos quentes…e o
silêncio seria um hino ao Amor, voaria do alto da montanha suavemente e
descansaria numa nuvem de algodão!
Poder
colar a sua pele como se fosse um carimbo…despi-lo com os olhos e serpentea-lo
com os lábios docemente…
Um
desassossego silencioso toma conta dela, apenas cortado pela respiração,
tentando parar o pensamento!
O
dia começava a clarear… tinha sonhado de novo acordada!
Levantou-se
e olhando o espelho não pode deixar de sorrir…J
Ia
morrer romântica e sonhadora com um eterno coração de menina.
Encontraram-se
um dia numa esquina da vida…cruzaram sorridente o olhar!
Estavam
ambos no Outono da vida, e no meio de uma imensa tagarelice concluíram, que
tinham vagueado pelos mesmos sítios sem nunca se encontrarem!
Duas
vivências distintas…
Um
com uma vida rica de episódios, estudos, viagens, pragmático e racional…com um
sorriso gaiato que a prendeu, quase de imediato!
Ela,
desencantada de muita coisa e com pouca coisa para contar…
A
sua vida tinha sido um sombreado de sonhos por realizar, tolamente romântica,
mas com um espírito forte.
A
vida tinha-lhe ensinado a arte circense, jogo de cintura na adversidade e
muitas vezes uma gargalhada com o coração apertado.
Horas
de conversa que souberam a pouco – quando a conversa flui sabe sempre a pouco –
Aceitam-se
à partida regras que não foram necessárias estabelecer! Silêncios onde as mãos
falam e os olhares se perdem um no outro… e os malvados relógios que deviam ser
partidos … por não deixarem eternizar os momentos!
Os
sentimentos vagueiam pelo espaço… um forte, preciso e fiel, o outro uma
incógnita intransponível!
Porque
a vida é uma encruzilhada que tem de ser vivida da forma que se apresenta… há
que agarrar o arco íris quando ele surge e não o deixar fugir!
Disfarçadamente
olho os rostos serenos desta sala de espera… procuro entender o que cada olhar
pode transmitir!
Alguns
apreensivos… outros completamente vazios e outros - a grande maioria – com um
secreto brilho de esperança.
Sem
lágrimas, quem sabe sem revolta.
Neste lugar as lágrimas se escondem… é preciso
dar força… e por vezes não sabemos bem onde as vamos buscar, mas elas aparecem
na medida exacta das que são necessárias.
Sinto-me
infinitamente pequena na minha incapacidade para poder ajudar a minorar a
agressão dos tratamentos… as cabeças cobertas pelos lenços e pelos chapéus…L
Para enfrentar tudo isto… È PRECISO ACREDITAR!!!!!!!
Outras
vidas a esperavam…outros afazeres imperavam!
No
meio de fotografias de álbuns antigos estalaram gargalhadas e desfilaram recordações.
…oh
mãezita tu eras tão gira, bolas ainda dizes que não estou gorda, preciso de
perder 5kgs, porque tu com a minha idade…vai lá vai…J mais gargalhadas e malandrices…
E
ela ali estava linda, 30 primaveras plenas de alegria e ternura. Feitio meio
avesso e aguerrido, que nunca guarda para amanhã o que deve dizer hoje… o tempo
e a maturidade lhe dará a calma e a reserva de certas palavras que devem ser
guardadas!
São
abraços, beijos e gargalhadas que preenchem o meu coração e enfeitam o silêncio
desta casa diariamente vazia de afectos.
Foi
há 30 anos que fui Mãe e a partir daí o que fez e faz verdadeiramente sentido
na minha vida é a Minha Filha, é ela que me faz sorrir mesmo que o caminho seja
pedregoso, mesmo que o sol não aqueça … Ela será sempre a minha eterna
primavera, não o primeiro nem o último amor, mas o meu único, verdadeiro e
incondicional Amor!
Quando se ouve uma entrevista destas do 2º membro mais importante do estado... acho que ela deveria ir direitinha para o Panteão Nacional, mas...vivinha da silva...(dentro de um daqueles mausoleus de pedra acho não dava mais entrevistas..!!!)
Na impossibilidade de colocar o video (não sei porquê, talvez falta de jeito...) deixo este link para o copiarem e ouvirem...uma perola linguistica ou uma tentativa de colocar palavras novas, no novo acordo ortográfico...será???
https://www.youtube.com/watch?v=dvkYf8xFWm0
A maior ameaça da humanidade é deixar a MEDIOCRIDADE chegar ao
poder !
Este nosso pobre país não vai longe enquanto para se empregar um
electricista ou recepciconista se exigem credenciais exames e avaliações etc. e
para cargos de alta responsabilidade se "convida" qualquer ....(evito o termo porque no diccionário exitem várias palavras que se adequam a esta criatura...e não são o "inconseguimento" nem "frustracional")
Para quem se quer armar ao "pingarelho" dirá......"não percebi nada do que ela disse...mas a gaja falou bem.." ahahah
Vêm
uma “embalagem” sorridente muitas vezes e noutras alturas um silêncio que
poucos compreendem e tentam alterar… sem entenderem que é no silêncio que EU me
encontro!
Mar
revolto batido contra a rocha… ou lago calmo numa serenidade mansa.
Entristece-me
a hipocrisia, o facilitismo e o compadrio!
Quando
amo, amo com o coração e não com a boca, porque não banalizo a palavra.
Ás
vezes penso, que se os meus olhos
mostrassem a minha alma quando sorrio… alguém ia chorar comigo!
Quando
amo, sou ciumenta, assumo! É um dos meus muitos defeitos, também ninguém é
perfeito, aliás, acho que quem tem a mania de que é perfeito/a deve ser um/a
chato/a de galochas…e as “imperfeições” dão tanto gozo e sal à vida…
Aquilo
que me pode faltar em inteligência e “cultura geral” fruto de muito anos de
estagnação forçada… sobra-me em intuição e 6º sentido, talvez por gostar tanto
de escrever (o que não quer dizer que o saiba fazer ou o faça bem) leio muitas
vezes nas entrelinhas “as palavras por dizer” e certas leituras são piores que
murros no estômago que me colocam de imediato em “alerta vermelho”.
Antigamente
diziam-me que eu tinha um feitio complicado…e que quando me irritava ficava com
“voz de sargento”, hoje ao recordar, da-me vontade de rir, porque eu virava
fera mesmo quando me pisavam os calos.
Se
há coisas que a “velhice” me ensinou foi a descomplicar a vida, embora por
vezes o “vulcãozinho” entre em ebulição, aí, bebo um copo de agua para o apagar, sento-me e conto até dez, procurando
relembrar as aulas de meditação que tive!
Pois
é… sou assim uma mistura estranha com as emoções às curvas no meio de um
labirinto, procurando o caminho ou da luz ao fundo do túnel – mas ao preço que
a electricidade está vou mesmo de vela acesa – tropeçando, caindo e
levantando-me.
Acho
que com um bocado de sorte e muita persistência encontro a saída, nem que seja
de andarilho!
Mais um ano que
termina e outro que começa…. Não me apetece fazer balanços… Não me apetece
fazer planos, nem sonhar… os sonhos são a utopia do que nunca conseguiremos
alcançar…
Saudade, nostalgia,
ausência, lembrança…
Nostalgia de tantos
momentos bons e com pessoas lindas. E a certeza que fica é de que eu jamais me esquecerei delas
e do quão foram e são especiais para mim. Será que o fui para elas??
O tempo vagueia pela
minha cabeça… a nostalgia das aves pairando sobre o crepúsculo, um último
suspiro, uma última carícia, um último adeus!
COM UM BEIJO PARA TODOS/AS QUE TêM A PACIENCIA DE ME LER!
Embora eu ache que o "Natal" deva ser 365 dia por ano, e não apenas 24 e 25 de Dezembro, que amar o próximo e a solidariedade é uma "obrigação" diária , porque os Sem Abrigo e as pessoas carenciadas são cada vez mais...deixo-vos um conto de Natal, com o desejo sincero de FESTAS FELIZES!
"Chovera
toda a noite. As ruas eram autênticas ribeiras, arrastando na enxurrada toda a
espécie de detritos. Os carros passando a alta velocidade espalhavam,
indiferentes, água suja sobre os transeuntes, molhando-os e sujando-os.
O
Pedrito seguia também naquela onda humana, sem destino. Tinha-se escapulido da
barraca, onde vivia. Os pais tinham saído cedo para o trabalho, ainda ele
dormia.
Ele
desceu à cidade, onde tudo o deslumbrava. Todo aquele movimento irregular,
caótico, frenético. Os automóveis em correrias loucas, as gentes apressadas nos
seus afazeres. E lá seguia pequenino, entre a multidão, numa cidade impávida,
indiferente, cruel mesmo.
Passava
em frente às pastelarias, olhava para as montras recheadas de doçuras, ele comera
de manhã um bocado de pão duro e bebera um copo de água. Vinha-lhe o aroma
agradável dos bolos, o seu pequeno estômago doía-lhe com fome!
Chovia
agora mansamente, uma chuva gelada, levando uma cidade onde se cruzavam o
fausto, a vaidade, o ter tudo, os embrulhos enfeitados das prendas, com a dor a
melancolia, o sofrimento, o ter nada e no meio uma criança triste e com fome!
Mas
o Pedrito gostava era de ver as lojas dos brinquedos. Lá estavam os carros de
corrida, o comboio, os bonecos, enfim todo um mundo maravilhoso que ele vivia,
esborrachando o nariz sujo contra a montra. Lá dentro ia grande azáfama nas
compras de Natal. E os carros de corrida, o comboio, os bonecos eram
embrulhados em papeis bonitos para irem fazer a alegria de outros meninos.
Uma
lágrima descia, marcando-lhe um sulco na sujidade da carita. Eis que os seus
olhos reparam num menino, que de lá dentro o olhava.
Desviou-se envergonhado. Não gostava que o
vissem chorar. E afastou-se devagar, pensando nos meninos que tinham Natal,
guloseimas e carros de corrida para brincar. Ele nada tinha, além da fome e a
ânsia de ser feliz e viver como os outros. Pensou no Natal, no Menino Jesus,
que diziam que era amigo das crianças a quem dá tudo. Por que é que a ele o
Jesus Pequenino do presépio nada dava?
De
repente, uma mãozinha tocou-lhe no ombro. Voltou-se assustado. Era o menino da
loja que lhe metia na mão um embrulho bonito. À frente a mãe, carregada de
embrulhos, fazia de conta que nada via.
Abriu-o
e deslumbrado viu um carro de corridas, encarnado, brilhante, como os olhos do
menino que lá ao longe lhe acenava. Ficou um momento sem saber o que fazer, mas
depois largou a correr, mostrando bem alto a sua prenda de Natal.
Parara
de chover. O sol tentava romper as nuvens escuras, lançando um raio de luz
brilhante e quente sobre o Pedrito, que ria feliz, numa carita sulcada pelas
lágrimas."
Nesta altura da vida já não sei mais quem sou ... Vê só que dilema !!! Na ficha de qualquer loja sou CLIENTE, no restaurante FREGUESA, quando alugo uma casa sou INQUILINA, nos transportes públicos e em viatura particular
sou PASSAGEIRA, nos correios REMETENTE, no supermercado (e lojas também) sou CONSUMIDORA. Nos serviços sociais sou UTENTE. Para o estado sou CONTRIBUINTE, Para votar sou ELEITORA, para os sindicatos sou MASSA SALARIAL ,
em viagens TURISTA , na rua caminhando PEDESTRE, se passeio, sou TRANSEUNTE, se sou atropelada ACIDENTADA, no hospital PACIENTE. Nos jornais viro VÍTIMA, se leio um livro sou LEITORA, se ouço rádio OUVINTE. A ver um espectáculo sou ESPECTADORA, a ver televisão sou TELESPECTADORA, no campo de futebol sou ADEPTA. Na Igreja católica, sou IRMÃ.
E, quando morrer... uns dirão que sou... FINADA,
outros... DEFUNTA, para outros... EXTINTA. Em certos círculos espiritualistas
serei... DESENCARNADA, os evangélicos dirão que fui... ARREBATADA...
E o pior de tudo é que, para os governantes sou
apenas uma IMBECIL !!! E pensar que um dia quis ser EU. SIMPLESMENTE
Contrastando
com a luminosidade do dia, Maria sentiu-se cinzenta.
Após
uma noite de insónia, levantou-se com uma sensação estranha de perda!
Era
dia de S. Martinho e a recordação desse dia em anos passados e felizes
colocou-lhe um travo amargo na boca e um peso estranho no coração.
A
quietude da casa, que geralmente não a incomodava, fê-la estremecer!
Que
coisa … pensou ela, há alturas em que o silêncio faz um ruído ensurdecedor.
Olhou
o relógio, eram 10,30h.
Tomou
um duche rápido e vestiu-se… precisava sair dali, andar, ver gente…
Antes
de sair parou em frente ao espelho – a juventude tinha passado, a alegria de
menina também – mas que diabo, estava viva, tinha saúde e sorriu ao pensar na
resposta que em tom de troça dava, quando lhe perguntavam a idade…” eu não
tenho idade, tenho vida para viver! “
Andou
sem destino, com o sol morno a beijar-lhe o rosto – lentamente começou a
acalmar – foi olhando as árvores e as raízes que as prendiam à terra.
Aquelas
raízes sempre a fascinaram, bem que gostava de as saber pintar, mas as imagens
ficavam-lhe na memória, quem sabe um dia aprenderia a técnica de as reproduzir
no papel.
Sentiu-se
cansada e resolveu parar na esplanada do parque para beber um café, agua e ler
o jornal antes de regressar a casa.
Nisto
ouviu uma voz masculina, mesmo por cima do ombro… desculpe, está sozinha? Posso
fazer-lhe companhia?
Maria
olhou para o homem e pensou… “não me faltava mais nada!...” e respondeu pura e
simplesmente:
Não,
não pode, não me apetece companhia nem conversar!
O
tom não devia ter sido amistoso, porque a criatura nem respondeu e foi
sentar-se na mesa da frente e ficou a olhá-la com ar aparvalhado tal e qual um
burro a mirar um fardo de palha!
Com
uma vontade de dar uma gargalhada, levantou-se e regressou a casa.
Não
tinha fome para almoçar, comeu um yogurt e uma peça de fruta.
Ligou
a musica e enquanto ouvia as Valquírias de Wagner, pegou nos pincéis – não é
que soubesse pintar, mas agarrada a eles não dava pelo passar do tempo.
Voltou
a recordar a cena da esplanada – todas as mulheres sonham com um príncipe
encantado, mas a ela tinha-lhe saído um jumento com ar de esfomeado -!
Já
ia escurecendo e Maria pensou para consigo… o dia 11 está a terminar, amanhã é
um novo dia!
O
blogue faz hoje 3 anos do seu nascimento…J . Está em stand by desde Maio… não que tenha deixado de
escrever, mas… nem tudo é publicável… e a nossa intimidade por vezes é só
nossa!
Este
ano foi mais um turbilhão no Labirinto que são as minhas Emoções…
Perdi
um amigo, com quem partilhei muitas lágrimas e gargalhadas, um lutador até ao
último sopro de vida, mas que o cancro venceu!
A
minha mãe, que quase aos 78 anos se
defronta com um cancro de mama… uma incógnita futura que me dói, mas que tento
digerir dia a dia o melhor que posso e sei, não sendo de todo fácil de o fazer.
A
mudança de casa… para um pequeno refúgio com as cores do Alentejo e com
quintal!
Finalmente
tenho um quintal, onde me sento em longas pausas mornas e onde o sol travesso
espreita o meu sorriso de menina quando descubro cada rebento que brota da
terra.
Gosto
do odor da terra molhada, da terra que me prende e à qual um dia descerei,
completando um ciclo de integração total.
De
noite refugio-me no silêncio, banhada pela lua e vendo o cintilar das estrelas,
deixando a imaginação voar no arrepio da aragem…
São
os meus momentos, onde me procuro evadir
do turbilhão que me envolve…
Não
sei quando voltarei aqui!
Um
blogue não é um diário e as minhas Emoções neste momento conturbadas são de uma
intimidade algo dolorosas e difíceis de partilhar…
Quem
sabe … um dia destes volte… até lá deixo um imenso beijo e um obrigada para
quem pacientemente me tem lido.
Em
jeito de um até já… partilho uns “esboços” com que me entretenho a fingir que
pinto…(vá lá não me gozem, um dia pode ser que aprenda a sério…J)))
A alma de uma mulher tem uma beleza envergonhada, que quer ser descoberta sem pedir...nela se escondem lágrimas e sonhos que ninguem vê, enquanto o rosto sorri! A alma de uma mulher continua sempre menina, mesmo quando o corpo fenece. É uma melodia inacabada que poucos maestros saber tocar... "Ela sabe abraçar com o pensamento quando os braços não chegam ao lugar"...
Momentos são partículas do tempo guardados na memória!
Minutos que ficam em nós, ou se evaporam no arrepio de um beijo, de um olhar, de uma carícia ansiada sem ser pedida…
Um enlaçar de dedos em silêncio, num silêncio partilhado, onde não são necessárias palavras porque o toque e o calor existem.
Momentos solitários onde me encontro e reencontro, porque o sonho toma conta de mim … por mais dura que seja a vida ainda não perdi a capacidade de sonhar!
As perdas que me povoam e não consegui segurar, umas por culpa minha, outras sem me poder culpar. Todas elas deixaram marcar indeléveis de momentos que me fizeram sorrir ou chorar.
A vida é isto mesmo, uma contabilidade difícil entre o deve e o haver e onde o saldo raramente satisfaz.
Momentos que vivi, momentos que quero viver e momentos que sonho e não viverei…
Porque a felicidade plena não existe, mas apenas e só momentos de felicidade.
A vida é um turbilhão galopante feita de momentos!
É DIFICIL ENCONTRAR AS PALAVRAS CERTAS PARA DEFINIRA BELEZA E A EMOÇÃO QUE CAUSA O UNÍSSONO DAS VOZESENQUADRADAS COM CADA PINTURA TÃO HUMANAMENTE ILUSTRADA.
Comemorar esta data, nesta altura é quase anedótico… num País em que existe quase 1 milhão de desempregados…
1 milhão que finge que trabalha… (basta ver-se o belo exemplo que nos dão os representantes do “povo” agarrados ao facebook nas horas de plenário ou em muitos Ministérios picarem o ponto para de seguida virem horas para o café ou às compras… já para não falar das empresas, que essas, quem as tem ou as dirige que abra os olhos…)
1 milhão que nada faz e vive à conta daqueles que efectivamente vão trabalhando… e mais não me alongo que ainda me dá um treco…porque embora já com muitos anos em cima ainda cá quero andar mais alguns!
Passámos do País dos “3F” Fátima, Fado e Futebol, para o País com “Fs” que nunca mais acabam…
Falta de Seriedade…
Falta de Honestidade
Fartura de Corruptos
Fartura de Aldrabões
Fartura de Crimes Económicos
Fartura de Especuladores
Etc… etc…etc… não tem F mas acrescentem à lista o que lhes vier à cabeça…
É um Fartar vilanagem e quem vier atrás que Feche a porta…
Ora F***-se… Fechem o País para obras e abram com nova gerência, que eu trabalhei 43 anos e acabo F***ida no desemprego sem ter culpa nenhuma!
Mas como tristezas não pagam dividas e eu felizmente não tenho nenhumas (embora esteja a paga-las…) e como Verdi me enche e preenche a alma, vou passar o dia calmamente a ouvi-lo enquanto “brinco” com os meus pincéis.
O primeiro é o silêncio da comunhão, que representa o encontro do essencial, onde os dois se tornam um…o silêncio que dispensae transcende as palavras!
Existe um segundo silêncio…que é o silêncio das palavras por dizer…
O silêncio onde cada um habita uma ilha própria, isolada, um silêncio onde nem as aspirações intimas, nem os movimentos suaves da alma são compartilhados!
Aí…instala-se a solidão constante, onde o silêncio faz um ruído ensurdecedor… como se de uma falta de ar se tratasse!
Há quem diga que viver é dançar na corda oscilante do inesperado…
E pelo inesperado vou vagueando… com o conhecimento dos silêncio que sempre fizeram parte de mim!
As letras corriam saltitantes, velozes e sorridentes…
Ela… como sempre, desprendida, ouvindo musica e a ver o que se passava…
Ele… batido e sabedor…foi-se chegando como quem não quer nada, letrinha aqui, letrinha ali, com um olá matreiro e sorridente foi-a dissecando com perguntas…
Ela… a pensar divertida, que coisinha esta, por este andar despe-me em praça pública…mas como lhe foi achando graça, foi dando corda ao desfiar das letras!
E, lá foram eles voando horas a fios, gargalhadas pelo meio umas vezes, outras com uma postura mais séria, tentando ambos deixarem em suspensos algumas letras para o dia seguinte.
O alfabeto é extenso… se o vão percorrer todo, não faço ideia, mas que existem sempre letras suspensas no meio de sorrisos que os vão ligando é uma verdade!
Cá para mim, que sou mera espectadora desta história, vou espreitando e vendo onde as letras vão parar… mas creio que isto só pode mesmo dar…Uma Sopa de letras!