Começamos por ser bebés, depois crianças, depois adolescentes. Tivemos uma família e educação, melhor ou pior. Mas chega uma altura em que ficamos sozinhas e é bom encontrarmos aquelas frases luminosas capazes de acender em nós qualquer coisa que fique connosco e faça parte de nós; frases que nos recordem o caminho certo, que nos dêem o impulso necessário para escalar a montanha que todos temos de subir...Por isso eu sou... UM LABIRINTO DE EMOÇÕES
Desenho na alma Uma tatuagem a fogo. Cravo na areia As pegadas que o mar leva. Sigo rumo ao vento No sombreado do pensamento... Deste vazio que me envolve!
Procuro num olhar Um poema de silêncio Para nele me agasalhar. E numa pauta de musica Uma sinfonia inacabada, Onde a minha alma Possa de novo renascer!
Não sou “doutorada” em beijos, mas como
gosto de coisas doces e não sendo diabética…vou dar seguimento ao post anterior
(até porque os comentários, me fizeram soltar umas belas gargalhadas).
Como vários(as) comentadores(as) ficaram com água na boca à espera de mais…
aqui vai um belo Menú, que pode ser degustado a qualquer hora do dia ou da
noite…
Há muitas formas de
beijar. Existem nomes populares e divertidos que descrevem os vários tipos de
beijos. Segue uma lista com alguns desses nomes:
Beijo "Selinho": os lábios encostam-se levemente. (Coisinha mais sem sal…)
Beijo "Peixinho": semelhante ao selinho mas os lábios
fazem um biquinho. (Este vou ter de pedir explicações a algum Carapau…que do mundo aquático,
melhor que ninguém me pode dizer como faz “biquinho” para dar beijos às
marmotas e afins..)
Beijo "Borboleta": o casal encosta os seus cílios e ficam
piscando. (Se meterem as pestaninhas no olho um do outro…vai surgir é um vale de lágrimas em vez de
sorrisos…)
Beijo “Boca de Siri”: quando a boca não se abre para receber o
beijo. (Qual será o gozo??)
Beijo de "Esquimó": esfregando as pontas do nariz
suavemente. (Belo para o polo Norte quando os “narizes ficam gelados …)
Beijo "Italiano": os lábios são colados nas bochechas e são
feitos movimentos circulares com a língua. (Outro que tenho de perguntar a
um “certo” amigo italiano… se a bochecha italiana serve de “recipiente” para
guardar molhos e a língua gulosa os vai degustar…)
Beijo "Japonês": o beijo dado pelo homem na nuca da
mulher. (Ai Jesus, deste eu gosto…até me
arrepio…)
Beijo "Chinês": beijo estalado na bochecha após
inspirar o perfume do parceiro. (E se o parceiro não usar perfume? O beijo não estala???)
Beijo "Francês": é o beijo de língua. (Humm… este é o tal da troca de
micróbios em ambiente húmido…venham beijos à grande e à francesa…)
Beijo "Conde Drácula": desce até ao pescoço podendo deixar marcas. (Se elas ficarem escondidas,
“as marcas”…, pois que desçam…)
Beijo "Reticências": beijinhos rápidos e espalhados pelo rosto
que acontecem após um longo beijo. (Eu por mim retiro as
reticências e haja “espalhadinhos” sem conta…)
Beijo "Ventilador" ou "Helicóptero":
giro da língua dentro da boca do outro, como se fosse uma hélice. (E será que levantam os dois
voo?? )
Beijo "Liquidificador": quando são feitos movimentos
circulares em toda a orelha. (Este faz umas cócegas diabólicas…)
Beijo "Aspirador de pó": beijo profundo e sufocante. ( Não aconselhável a
asmáticos/as…Nina…cuidado que este beijo não te é aconselhável..:))
Beijo "Metralhadora": atira-se beijos por
todo o corpo da "vítima". (Vitima eu seja... embora contra a violência, estas
“metralhadoras” até que são bem vindas, desde que tragam bastantes munições)
Beijo "Técnico" ou "Cinematográfico":
beijo sem emoção. (Dispenso em absoluto…não tenho vocação para artista…)
O beijo na boca traz muitos benefícios para a saúde. Estudos
comprovaram que o acto de beijar na boca estimula o cérebro a liberar
endorfina, uma substância responsável pela sensação de prazer e bem-estar.
Quanto mais prolongado e apaixonado, o beijo, maiores os benefícios. Já se sabe que o beijo
movimenta 29 músculos (17 da língua). Por isso, além de queimar cerca de 12
calorias por beijo, mantém o rosto mais jovem porque o trabalho muscular dá
firmeza à pele.
E porque os beijos, são muitas vezes os preliminares necessários para uma
bela manhã/tarde ou noite de amor…aqui vai uma bela amostragem do Amor pelo
mundo inteiro…Divirtam-se e BOM APETITE!
Talvez porque eu seja uma
beijoqueira inveterada, adoro dar beijinhos e, como é lógico, recebe-los..:-)
(se bem que não os receba na quantidade que eu desejaria…) mas cada um/a tem os
beijos que merece e contabilisticamente falando…eu estou com um défice dos
diabos.
Resolvi portanto, procurar
alguns significados dos ditos:
“Obeijoé umademonstração de afectoentre as pessoas,
e existem diversos tipos de beijos:
O beijo na orelha significa desejo. Geralmente os
beijos nas orelhas e no pescoço são preliminares de uma entrega maior, é a
maneira de demonstrar que o parceiro está sendo receptivo ao amor.
Beijo no nariz é conhecido como o beijo dos
esquimós, porque consiste em esfregar os narizes um no outro, simultaneamente,
da esquerda para a direita ou ao contrário, e serve para demonstrar um carinho
mutuo. Este beijo também pode ser dado entre amigos para demonstrar o afeto que
existe entre eles.
Beijo nos olhos, significa ternura, carinho,
dedicação, amor. Geralmente é um beijo que os pais costumam dar em seus filhos
à noite quando já estão na cama e pedem um beijo de boa noite.
Beijo no ombro significa que o parceiro está
sempre pensando no outro, lembrando, e com o desejo de estar sempre por perto.
Beijo no queixo, significa desejo pela mulher
amada, desejo pelo companheiro, necessidade de estar junto, necessidade de
compartilhar todos seus momentos.”
Muitos mais significados existem. Deixo à
vossa douta imaginação os que aqui não transcrevo, mas, para vos aguçar o apetite, nada melhor que “A
Lenda do Beijo” para que possais esvoaçar em tão docetema.
A Páscoa está a chegar, época de introspecção e renovação sobre o sentido da vida... que a Paz seja uma constante e que o Sol aqueça todos e cada um de vós
Quando
eu me calo, nas horas mortas de um tempo sem tempo, onde me abandono no ondular
da seara e no correr da brisa…a solidão me abraça!
Mas
por vezes calo-me… mas calo-me quando a alma fica em silêncio, como a árvore se
curva à inevitabilidade do inverno.
Calo-me
no silêncio inútil do cansaço e do oco das palavras ouvidas e que não devem ser
ditas.
Calo-me
no silêncio da contemplação, olhando a natureza que me envolve e esmaga!
E
às vezes, quando me calo no silêncio dos silêncios, na ausência de coisa
nenhuma… a vida fica pura e simplesmente suspensa na imensidão do nada… ou de
cada momento!!
Laura
estava tranquilamente no escritório, embrenhada nos seus papéis, quando o tlm
tocou com uma mensagem…”Queres tomar um inocente cafezinho no Cais do Sodré?” –
Meu Deus… o coração disparou-lhe!
Não
conseguiu fazer mais nada, a cabeça às voltas para saber como inventar uma
desculpa e sair mais cedo.
Cruzou
os dedos, esperando que nenhum "castigo
divino" lhe caísse em cima…(desculpou-se com a mãe que já era bastante idosa) e,
quase a correr, saiu para apanhar o autocarro.
Apanhou
um, que afinal chegou a baixa e não seguia para a estação do Cais do Sodré, mas
ia em sentido inverso…, quando se apercebeu, saiu, meia tonta, procurando um
táxi, para não o fazer esperar.
Quando
o táxi deu a volta no Largo, viu… todo de branco encostado a parede da estação.
Aquele
era o seu Orixá!
Ele
que já a tinha encantado com tantas letras trocadas, ali estava em carne e osso – com as pernas a tremer saiu
do táxi – num nervosismo infantil sem explicação, e sem o conseguir disfarçar…
O
seu misticismo e sensualidade de escrita o seu tom de voz há muito que lhe
tirava o sono…
-
Depois de longas conversas com ele, umas sérias outras na paródia, de ouvirem
horas da musica que ambos tanto gostavam, ela deitava-se com a imaginação
latejante, de como seria o homem que encarnava um ser tão diferente do comum
mortal … e pensava que conhecer uma pessoa como ele, era um bálsamo.
Era
difícil encontrar um homem com aquela inteligente sensibilidade e o
conhecimento e amor pelos animais e pela natureza.
Sentiu
aquele abraço gostoso e apeteceu-lhe ficar assim, sem se mexer, em silêncio,
apenas a ouvir a respiração… parecia uma adolescente com mil sensações!!!
Tomaram
o inocente café, numa esplanada em frente ao rio.
Levemente
os seus dedos foram-se tocando, e de
seguida as mãos se entrelaçaram, numa cumplicidade muda, com o Tejo por testemunha .
Laura não conseguia descrever
com palavras aquilo que sentia naquele momento – (as coisas boas sentem-se com
a alma, não se descrevem).
Só
sabia, que profundamente, a sua voz, o seu olhar, o calor das suas mãos… tinham
tomado conta dela!
Não
era sonho, era realidade, ele estava mesmo ali.
Entregou-se
a ele…sem ele saber!
Quando
entrou no autocarro de regresso a casa, trazia com ela o som da sua voz, o
toque, o cheiro da maresia misturado com o café…e nos lábio um beijo fugidio e
medroso…
Tinha
encontrado sem querer o seu sonho de mulher-menina e custava-lhe a acreditar
que Deus lho tivesse concedido, numa tarde quente de Junho.
Mas
era verdade… o seu sonho existia mesmo, era real e, Laura
tem a certeza que tudo o que acontecia na vida tinha um significado, nada
acontecia por acaso!
O
futuro só a Deus pertencia mas Laura não queria pensar em mais nada, apenas
reviver aquele momento, sabia que fosse qual fosse o futuro, aquele momento
seria sempre para recordar.
Porque hoje não me apetece escrever Nada... e quem sabe se escrevesse Nada de novo dizia... e, porque eu só sei que Nada sei.. .hoje faço minhas as palavras dos outros com desejos de Bom Carnaval..:-)
Pudesse
ela encontrar no silêncio o afago e a suavidade de umas mãos quentes…e o
silêncio seria um hino ao Amor, voaria do alto da montanha suavemente e
descansaria numa nuvem de algodão!
Poder
colar a sua pele como se fosse um carimbo…despi-lo com os olhos e serpentea-lo
com os lábios docemente…
Um
desassossego silencioso toma conta dela, apenas cortado pela respiração,
tentando parar o pensamento!
O
dia começava a clarear… tinha sonhado de novo acordada!
Levantou-se
e olhando o espelho não pode deixar de sorrir…J
Ia
morrer romântica e sonhadora com um eterno coração de menina.
Encontraram-se
um dia numa esquina da vida…cruzaram sorridente o olhar!
Estavam
ambos no Outono da vida, e no meio de uma imensa tagarelice concluíram, que
tinham vagueado pelos mesmos sítios sem nunca se encontrarem!
Duas
vivências distintas…
Um
com uma vida rica de episódios, estudos, viagens, pragmático e racional…com um
sorriso gaiato que a prendeu, quase de imediato!
Ela,
desencantada de muita coisa e com pouca coisa para contar…
A
sua vida tinha sido um sombreado de sonhos por realizar, tolamente romântica,
mas com um espírito forte.
A
vida tinha-lhe ensinado a arte circense, jogo de cintura na adversidade e
muitas vezes uma gargalhada com o coração apertado.
Horas
de conversa que souberam a pouco – quando a conversa flui sabe sempre a pouco –
Aceitam-se
à partida regras que não foram necessárias estabelecer! Silêncios onde as mãos
falam e os olhares se perdem um no outro… e os malvados relógios que deviam ser
partidos … por não deixarem eternizar os momentos!
Os
sentimentos vagueiam pelo espaço… um forte, preciso e fiel, o outro uma
incógnita intransponível!
Porque
a vida é uma encruzilhada que tem de ser vivida da forma que se apresenta… há
que agarrar o arco íris quando ele surge e não o deixar fugir!
Disfarçadamente
olho os rostos serenos desta sala de espera… procuro entender o que cada olhar
pode transmitir!
Alguns
apreensivos… outros completamente vazios e outros - a grande maioria – com um
secreto brilho de esperança.
Sem
lágrimas, quem sabe sem revolta.
Neste lugar as lágrimas se escondem… é preciso
dar força… e por vezes não sabemos bem onde as vamos buscar, mas elas aparecem
na medida exacta das que são necessárias.
Sinto-me
infinitamente pequena na minha incapacidade para poder ajudar a minorar a
agressão dos tratamentos… as cabeças cobertas pelos lenços e pelos chapéus…L
Para enfrentar tudo isto… È PRECISO ACREDITAR!!!!!!!
Outras
vidas a esperavam…outros afazeres imperavam!
No
meio de fotografias de álbuns antigos estalaram gargalhadas e desfilaram recordações.
…oh
mãezita tu eras tão gira, bolas ainda dizes que não estou gorda, preciso de
perder 5kgs, porque tu com a minha idade…vai lá vai…J mais gargalhadas e malandrices…
E
ela ali estava linda, 30 primaveras plenas de alegria e ternura. Feitio meio
avesso e aguerrido, que nunca guarda para amanhã o que deve dizer hoje… o tempo
e a maturidade lhe dará a calma e a reserva de certas palavras que devem ser
guardadas!
São
abraços, beijos e gargalhadas que preenchem o meu coração e enfeitam o silêncio
desta casa diariamente vazia de afectos.
Foi
há 30 anos que fui Mãe e a partir daí o que fez e faz verdadeiramente sentido
na minha vida é a Minha Filha, é ela que me faz sorrir mesmo que o caminho seja
pedregoso, mesmo que o sol não aqueça … Ela será sempre a minha eterna
primavera, não o primeiro nem o último amor, mas o meu único, verdadeiro e
incondicional Amor!
Quando se ouve uma entrevista destas do 2º membro mais importante do estado... acho que ela deveria ir direitinha para o Panteão Nacional, mas...vivinha da silva...(dentro de um daqueles mausoleus de pedra acho não dava mais entrevistas..!!!)
Na impossibilidade de colocar o video (não sei porquê, talvez falta de jeito...) deixo este link para o copiarem e ouvirem...uma perola linguistica ou uma tentativa de colocar palavras novas, no novo acordo ortográfico...será???
https://www.youtube.com/watch?v=dvkYf8xFWm0
A maior ameaça da humanidade é deixar a MEDIOCRIDADE chegar ao
poder !
Este nosso pobre país não vai longe enquanto para se empregar um
electricista ou recepciconista se exigem credenciais exames e avaliações etc. e
para cargos de alta responsabilidade se "convida" qualquer ....(evito o termo porque no diccionário exitem várias palavras que se adequam a esta criatura...e não são o "inconseguimento" nem "frustracional")
Para quem se quer armar ao "pingarelho" dirá......"não percebi nada do que ela disse...mas a gaja falou bem.." ahahah
Vêm
uma “embalagem” sorridente muitas vezes e noutras alturas um silêncio que
poucos compreendem e tentam alterar… sem entenderem que é no silêncio que EU me
encontro!
Mar
revolto batido contra a rocha… ou lago calmo numa serenidade mansa.
Entristece-me
a hipocrisia, o facilitismo e o compadrio!
Quando
amo, amo com o coração e não com a boca, porque não banalizo a palavra.
Ás
vezes penso, que se os meus olhos
mostrassem a minha alma quando sorrio… alguém ia chorar comigo!
Quando
amo, sou ciumenta, assumo! É um dos meus muitos defeitos, também ninguém é
perfeito, aliás, acho que quem tem a mania de que é perfeito/a deve ser um/a
chato/a de galochas…e as “imperfeições” dão tanto gozo e sal à vida…
Aquilo
que me pode faltar em inteligência e “cultura geral” fruto de muito anos de
estagnação forçada… sobra-me em intuição e 6º sentido, talvez por gostar tanto
de escrever (o que não quer dizer que o saiba fazer ou o faça bem) leio muitas
vezes nas entrelinhas “as palavras por dizer” e certas leituras são piores que
murros no estômago que me colocam de imediato em “alerta vermelho”.
Antigamente
diziam-me que eu tinha um feitio complicado…e que quando me irritava ficava com
“voz de sargento”, hoje ao recordar, da-me vontade de rir, porque eu virava
fera mesmo quando me pisavam os calos.
Se
há coisas que a “velhice” me ensinou foi a descomplicar a vida, embora por
vezes o “vulcãozinho” entre em ebulição, aí, bebo um copo de agua para o apagar, sento-me e conto até dez, procurando
relembrar as aulas de meditação que tive!
Pois
é… sou assim uma mistura estranha com as emoções às curvas no meio de um
labirinto, procurando o caminho ou da luz ao fundo do túnel – mas ao preço que
a electricidade está vou mesmo de vela acesa – tropeçando, caindo e
levantando-me.
Acho
que com um bocado de sorte e muita persistência encontro a saída, nem que seja
de andarilho!
Mais um ano que
termina e outro que começa…. Não me apetece fazer balanços… Não me apetece
fazer planos, nem sonhar… os sonhos são a utopia do que nunca conseguiremos
alcançar…
Saudade, nostalgia,
ausência, lembrança…
Nostalgia de tantos
momentos bons e com pessoas lindas. E a certeza que fica é de que eu jamais me esquecerei delas
e do quão foram e são especiais para mim. Será que o fui para elas??
O tempo vagueia pela
minha cabeça… a nostalgia das aves pairando sobre o crepúsculo, um último
suspiro, uma última carícia, um último adeus!
COM UM BEIJO PARA TODOS/AS QUE TêM A PACIENCIA DE ME LER!
Embora eu ache que o "Natal" deva ser 365 dia por ano, e não apenas 24 e 25 de Dezembro, que amar o próximo e a solidariedade é uma "obrigação" diária , porque os Sem Abrigo e as pessoas carenciadas são cada vez mais...deixo-vos um conto de Natal, com o desejo sincero de FESTAS FELIZES!
"Chovera
toda a noite. As ruas eram autênticas ribeiras, arrastando na enxurrada toda a
espécie de detritos. Os carros passando a alta velocidade espalhavam,
indiferentes, água suja sobre os transeuntes, molhando-os e sujando-os.
O
Pedrito seguia também naquela onda humana, sem destino. Tinha-se escapulido da
barraca, onde vivia. Os pais tinham saído cedo para o trabalho, ainda ele
dormia.
Ele
desceu à cidade, onde tudo o deslumbrava. Todo aquele movimento irregular,
caótico, frenético. Os automóveis em correrias loucas, as gentes apressadas nos
seus afazeres. E lá seguia pequenino, entre a multidão, numa cidade impávida,
indiferente, cruel mesmo.
Passava
em frente às pastelarias, olhava para as montras recheadas de doçuras, ele comera
de manhã um bocado de pão duro e bebera um copo de água. Vinha-lhe o aroma
agradável dos bolos, o seu pequeno estômago doía-lhe com fome!
Chovia
agora mansamente, uma chuva gelada, levando uma cidade onde se cruzavam o
fausto, a vaidade, o ter tudo, os embrulhos enfeitados das prendas, com a dor a
melancolia, o sofrimento, o ter nada e no meio uma criança triste e com fome!
Mas
o Pedrito gostava era de ver as lojas dos brinquedos. Lá estavam os carros de
corrida, o comboio, os bonecos, enfim todo um mundo maravilhoso que ele vivia,
esborrachando o nariz sujo contra a montra. Lá dentro ia grande azáfama nas
compras de Natal. E os carros de corrida, o comboio, os bonecos eram
embrulhados em papeis bonitos para irem fazer a alegria de outros meninos.
Uma
lágrima descia, marcando-lhe um sulco na sujidade da carita. Eis que os seus
olhos reparam num menino, que de lá dentro o olhava.
Desviou-se envergonhado. Não gostava que o
vissem chorar. E afastou-se devagar, pensando nos meninos que tinham Natal,
guloseimas e carros de corrida para brincar. Ele nada tinha, além da fome e a
ânsia de ser feliz e viver como os outros. Pensou no Natal, no Menino Jesus,
que diziam que era amigo das crianças a quem dá tudo. Por que é que a ele o
Jesus Pequenino do presépio nada dava?
De
repente, uma mãozinha tocou-lhe no ombro. Voltou-se assustado. Era o menino da
loja que lhe metia na mão um embrulho bonito. À frente a mãe, carregada de
embrulhos, fazia de conta que nada via.
Abriu-o
e deslumbrado viu um carro de corridas, encarnado, brilhante, como os olhos do
menino que lá ao longe lhe acenava. Ficou um momento sem saber o que fazer, mas
depois largou a correr, mostrando bem alto a sua prenda de Natal.
Parara
de chover. O sol tentava romper as nuvens escuras, lançando um raio de luz
brilhante e quente sobre o Pedrito, que ria feliz, numa carita sulcada pelas
lágrimas."