terça-feira, 16 de novembro de 2010

A BUSCA

Quando oiço alguem fazer planos para o futuro, sorrio...
Ter futuro deve ser bom! Porque quando olho o meu futuro, só vejo vazio.
O futuro sempre foram os sonhos por realizar - os concertos que passaram e eu não vi... a ópera cantada ao vivo a que não assisti... o bailado que ficou na imaginação...a exposição que acabou... -
Até passear no areal e sentir o arrepio do mar no corpo quente, começa a ser um projecto adiado...
Embora o sonho seja uma constante da vida, como diz o Gedeão, os meus pecam pelos adiamentos sucessivos...

Busco no tempo
O tempo que passa
Ergo os braços…
Numa súplica não ouvida
Imenso espaço vazio
De transparência solitária.
Sou o Outono
Que antecede o Inverno
E do qual
Não conheceu o sol de Verão
Nem as flores da Primavera.
Um Outono de folhas caídas
De alma despida de esperança
Tronco nu a secar
Sem calor nem rega
Aguardando o último suspiro
E a hora do corte…

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Hoje recebi um mail. Vale a pena ser transcrito e ser feita uma reflexão séria sobre nós mesmos!!

Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007),
teve a lucidez de nos deixar esta reflexão, sobre nós todos,
por isso façam uma leitura atenta.



Precisa-se de matéria prima para construir um País
Eduardo Prado Coelho - in Público


A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia,
bem como Cavaco, Durão e Guterres.

Agora dizemos que Sócrates não serve.

E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.

Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão
que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.

O problema está em nós. Nós como povo.

Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda
sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.

Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude
mais apreciada do que formar uma família
baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais
poderão ser vendidos como em outros países, isto é,
pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal
E SE TIRA UM SÓ JORNAL,
DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares
dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,
como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil
para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque
conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo,
onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país:

-Onde a falta de pontualidade é um hábito;

-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.

-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois,
reclamam do governo por não limpar os esgotos.

-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que
é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória
política, histórica nem económica.

-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis
que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média
e beneficiar alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas
podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.

-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços,
ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada
finge que dorme para não lhe dar o lugar.

-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro
e não para o peão.

-Um país onde fazemos muitas coisas erradas,
mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates,
melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem
corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português,
apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim,
o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.

Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas,
mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA'congénita,
essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui
até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana,
mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates,
é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós,
 ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje,
o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima
 defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada...

Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor,
mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a
erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco,
nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa ?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei
com a força e por meio do terror ?

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece
a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados,
ou como queiram, seguiremos igualmente condenados,
igualmente estancados... igualmente abusados !

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa
a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento
como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos,
a ver se nos mandam um messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses
nada poderá fazer.

Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:

Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,
francamente, somos tolerantes com o fracasso.

É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável,
não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)
que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco,
de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI
 QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

 E você, o que pensa ?... MEDITE !





                            EDUARDO PRADO COELHO         



terça-feira, 9 de novembro de 2010

MEU MAR

Há saudades boas que doem
Hoje tive saudades tuas
Meu Mar!
Ao atravessar o Tejo
Lembrei-me da sensação boa
Dos teus abraços em mim
De pernas e braços nus,
Do teu afago ao mergulhar-te,
Do teu ondular suave
Onde eu me deitava de olhos fechados
Numa paz calma de menina.
Tenho saudades sim!
Porque não sei se te voltarei a ter…
Queria sentar-me na areia molhada
E ver o Sol pôr-se em ti,
Enlaçada com ternura!
Sentir a tua espuma beijar-me os pés…
Há anos que não te sinto!
Tenho saudades tuas sim,
Meu Mar…minha imensidão
Meu fiel confidente …
Quantos sonhos e amarguras
Tu me ouviste contar…
Tenho tantas saudades tuas…

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NADA MELHOR QUE UM SORRISO...PARA AGUENTAR O QUE AÍ VEM!!!!!!!!

Portugal daqui a 2 anos !

Um menino regressa da escola cansado e faminto e, pergunta à mãe:
Mamã, que há de comer?'
Nada, meu filho.'
O menino olha para o papagaio, que têm na gaiola, e pergunta:
Mamã, porque não há papagaio com arroz?'
Porque não há arroz.'
E papagaio no forno?'
Não há gás.'
E papagaio no grelhador eléctrico?'
Não há electricidade.'
E papagaio frito?'
Não há azeite.'
E o papagaio contentíssimo gritava:

VIVA O SÓCRATES !!!

COMO É QUE O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO NÃO PREVIU O "LOIRÊS"...???

A loira no avião

Um avião está a caminho de Toronto, quando uma loira, na classe
 económica, levanta-se, caminha para a primeira classe e senta-se ali.
 A hospedeira observa o que ela faz, e pede para ver o seu bilhete. Ela
 então diz para a loira que ela pagou classe económica e que ela
 deve sentar-se no fundo. A loira responde:
 - Sou loira, sou bonita, vou para Toronto e vou ficar aqui mesmo.
 A hospedeira vai até à cabine e fala ao piloto e co-piloto que tem uma
 loira sentada na primeira classe, que deveria estar na classe
 económica, e não quer voltar para seu lugar. O co-piloto dirige-se à
 loira e tenta explicar que ela pagou somente por classe económica, e
 que deve sair dali e sentar-se no seu lugar. A loira responde:
 - Sou loira, sou bonita, vou para Toronto e vou ficar bem aqui.
 O co-piloto diz ao piloto que provavelmente deveriam ter a polícia
 à espera quando eles aterrassem para prender esta mulher. O piloto diz:
 - Você disse que ela é loira? Eu vou falar com ela, sou casado com uma
 loira e falo 'loirês'.
 Ele dirige-se à loira e diz-lhe qualquer coisa ao ouvido.
 Ela diz:
 - Oh, peço desculpa.
 Levanta-se e vai para o seu lugar na classe económica. A hospedeira e
 o co-piloto estão boquiabertos, e perguntam-lhe o que é que ele disse
 para fazê-la mudar de ideias.
 Ele responde:
 - Disse-lhe simplesmente: "A primeira classe não vai para Toronto..."

sábado, 6 de novembro de 2010

OS TRISTES DIAS DO NOSSO INFORTÚNIO

Não resisto a publicar uma crónica de um óptimo escritor e jornalista, que até foi colega da minha mãe, o Baptista Bastos, sempre gostei de o ler, aqui vai!!! (ahhh e já agora, eu ainda me lembro de tempo da escola que os Lusiadas têm 10 Cantos, será que o nosso PR não sabe??)

«O Dr. Cavaco consumiu vinte minutos, no Centro Cultural de Belém, a esclarecer os portugueses que não havia português como ele. Os portugueses, diminuídos com a presunção e esmagados pela soberba, escutaram a criatura de olhos arregalados. Elogio em boca própria é vitupério, mas o Dr. Cavaco ignora essa verdade axiomática, como, aliás, ignora um número quase infindável de coisas.
O discurso, além de tolo, era um arrazoado de banalidades, redigido num idioma de eguariço. São conhecidas as amargas dificuldades que aquele senhor demonstra em expressar-se com exactidão. Mas, desta vez, o assunto atingiu as raias da nossa indignação. Segundo ele de si próprio diz, tem sido um estadista exemplar, repleto de êxitos políticos e de realizações ímpares. E acrescentou que, moralmente, é inatacável.
O passado dele não o recomenda. Infelizmente. Foi um dos piores primeiros-ministros, depois do 25 de Abril. Recebeu, de Bruxelas, oceanos de dinheiro e esbanjou-os nas futilidades de regime que, habitualmente, são para "encher o olho" e cuja utilidade é duvidosa. Preferiu o betão ao desenvolvimento harmonioso do nosso estrato educacional; desprezou a memória colectiva como projecto ideológico, nisso associando-se ao ideário da senhora Tatcher e do senhor Regan; incentivou, desbragadamente, o culto da juventude pela juventude, característica das doutrinas fascistas; crispou a sociedade portuguesa com uma cultura de espeque e atrabiliária e, não o esqueçamos nunca, recusou a pensão de sangue à viúva de Salgueiro Maia, um dos mais abnegados heróis de Abril, atribuindo outras a agentes da PIDE, "por serviços relevantes à pátria." A lista de anomalias é medonha.
Como Presidente é um homem indeciso, cheio de fragilidades e de ressentimentos, com a ausência de grandeza exigida pela função. O caso, sinistro, das "escutas a Belém" é um dos episódios mais vis da história da II República. Sobre o caso escrevi, no Negócios, o que tinha de escrever. Mas não esqueço o manobrismo nem a desvergonha, minimizados por uma Imprensa minada por simpatizantes de jornalismos e por estipendiados inquietantes. Em qualquer país do mundo, seriamente democrático, o Dr. Cavaco teria sido corrido a sete pés.
O lastro de opróbrio, de fiasco e de humilhação que tem deixado atrás de si, chega para acreditar que as forças que o sustentam, a manipulação a que os cidadãos têm sido sujeitos, é da ordem da mancha histórica. E os panegíricos que lhe tecem são ultrajantes para aqueles que o antecederam em Belém e ferem a nossa elementar decência.
É este homem de poucas qualidades que, no Centro Cultural de Belém, teve o descoco de se apresentar como símbolo de virtudes e sinónimo de impolutabilidade. É este homem, que as circunstâncias determinadas pelas torções da História alisaram um caminho sem pedras e empurraram para um
destino que não merece - é este homem sem jeito de estar com as mãos, de sorriso hediondo e de embaraços múltiplos, que quer, pela segunda vez, ser Presidente da nossa República. Triste República, nas mãos de gente que a não ama, que a não desenvolve, que a não resguarda e a não protege!
Estamos a assistir ao fim de muitas esperanças, de muitos sonhos acalentados, e à traição imposta a gerações de homens e de mulheres. É gente deste jaez e estilo que corrói os alicerces intelectuais, políticos e morais de uma democracia que, cada vez mais, existe, apenas, na superfície. O estado a que chegámos é, substancialmente, da responsabilidade deste cavalheiro e de outros como ele.
Como é possível que, estando o País de pantanas, o homem que se apresenta como candidato ao mais alto emprego do Estado, não tenha, nem agora nem antes, actuado com o poder de que dispõe? Como é possível? Há outros problemas que se põem: foi o dr. Cavaco que escreveu o discurso? Se foi, a sua conhecida mediocridade pode ser atenuante. Se não foi, há alguém, em Belém, que o quer tramar.
Um amigo meu, fundador de PSD, antigo companheiro de Sá Carneiro e leitor omnívoro de literatura de todos os géneros e projecções, que me dizia: "Como é que você quer que isto se endireite se o Dr. Cavaco e a maioria dos políticos no activo diz 'competividade' em vez de 'competitividade' e julga que o Padre António Vieira é um pároco de qualquer igreja?"
Pessoalmente, não quero nada. Mas desejava, ardentemente desejava, ter um Presidente da República que, pelo menos, soubesse quantos cantos tem "Os Lusíadas."» [Jornal de Negócios]
Por Baptista-Bastos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A SOLIDÃO....

Estou perfeitamente de acordo com todas estas definições, emboa a Solidão acompanhada seja demasiado complicada e dolorosa...porque a alma, perdesse por completo!!!

                                                SOLIDÃO, VISTA PELO CHICO BUARQUE 


               Solidão  não  é  a  falta  de  gente  para  conversar,  namorar,  passear  ou  fazer  sexo..... 
               isto  é  carência.
 
               Solidão   não  é   o sentimento  que  experimentamos   pela  ausência  de  entes  queridos
 
               que  não  podem  mais  voltar..... isto  é  saudade.
 
               Solidão  não  é  o  retiro  voluntário  que  a  gente  se  impõe,  às  vezes,  para    realinhar
 
               os  pensamentos.....isto é equilíbrio.
 
               Solidão   não  é  o  claustro  involuntário  que  o  destino  nos  impõe   compulsoriamente
 
               para  que  revejamos  a  nossa  vida.....isto  é  um  princípio  da  natureza.
 
               Solidão  não  é  o  vazio  de  gente  ao  nosso  lado..... isto  é  circunstância.
 
               Solidão  é  muito  mais  do  que  isto.
 
               Solidão  é  quando  nos  perdemos  de  nós  mesmos e  procuramos  em  vão  pela nossa
 
               alma .....
                

domingo, 31 de outubro de 2010

UMA TARDE DE AGOSTO

Este dia de chuva e frio, fez-me recordar uma outra tarde de Agosto de sol, calor e recordações...dois dias em que a Mãe-Natureza nos brindas com os oposto!

Enchi os pulmões e fechei os olhos, o cheiro a relva e terra molhada, acabada de regar, encheu-me e preencheu-me os sentidos.
Sorrateiramente descalço as chinelas, para sentir em mim o apelo da natureza, ninguém deu, pela presença insólita de uma mulher a passear lentamente de chinelas na mão…as pessoas passam pelo jardim sem repararem na sua beleza (o jardim serve para levarem os filhos a andar de bicicleta ou jogar a bola).
Fixei o olhar nos canteiros de flores, malmequeres brancos e amarelos, hortênsias azuis e rosas lindas.
Uma árvore centenária com as suas imensas raízes a quebrarem o alcatrão, prendeu-me a atenção! Sempre senti um imenso fascínio por estas árvores e suas raízes.
Calcei-me de novo e sentei-me a escrever…
Neste fim de tarde morno, não me apetece sair daqui.
Gostava tanto de te ter ao meu lado…ouvir a tua voz…mas estás tão longe, rodeado por outros aromas e tons de pele!
Subitamente, senti-me sozinha – mais um rosto na multidão – o meu pensamento vagueia algures por uma serra, na recordação de um dia mágico, onde eu me senti parte da mãe-natureza.
Aconcheguei-me nas recordações…para voltar a sorrir, e fazer o caminho de regresso a casa.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Carta para a minha Avó

Hoje, sonhei com a minha avó...vi-lhe o rosto doce, o sorriso meigo, sempre tão cheio de amor por mim.
Sinto tanta saudade dela, talvez por isso eu esteja tão nostalgica...lembrei-me de uma carta que lhe escrevi, (os papeis e a caneta, sempre foram os meus companheiros, em momentos ora felizes, ora conturbados da minha existencia...) uma carta, que 3 anos depois trouxe a minha resposta...uma filha, que preencheu a minha vida de Luz!

Já passaram 6 anos, seis longos anos, e parece que foi ontem que te perdi. A dor e a saudade são teimosas. Tenho alturas, em que só anseio poder juntar-me a ti…voltar a sentir as tuas mãos longas e macias, afagarem-me o cabelo, rever a ternura do teu olhar e a tua voz baixa e melodiosa, nas repreensões à “tua menina”…a menina que tu deixas-te tão pobre… pobre e estéril…
Nunca quiseste que eu fosse mãe, pelo medo que tinhas que eu pudesse sofrer, como o que tu sofreste com o nascimento da minha mãe.
Afinal hoje… já sou mãe… de filhos paridos por outro ventre, um ventre de entranhas podres, que entregou ao alheio… os seus frutos…mas que eu zelo e protejo ciosamente, porque eles Avó… não têm culpa de terem nascido.
Serei eu mãe também um dia?... é a pergunta que me martela e que eu temo não ter resposta…
De onde estiveres avó, se é que me podes ver… reza por mim, pede a esse Deus em que tanto acreditavas, para me dar força para esta espera…da realização do me maior desejo, ser Mãe.
Os anos passam e pesam, e mês após mês, eu morro um pouco, numa agonia lenta e calada…
Hoje, pior que ontem, hoje, amanhã e no futuro, sem piedade…a minha condição de Mulher vai murchando…a casa tem os risos dos filhos que não são meus de verdade.
Será que o meu pedaço de raiz…nunca entrará nesta casa tão cheia… e tão vazia ao mesmo tempo?…
Existe Sol… mas falta o meu, um Sol que dê flores só a mim, que eu carregue nove meses e sinta mexer, que me chame Mãe…
Reza minha querida Avó, reza a Deus pelo milagre de eu dar vida a outra vida…
Ajuda-me Avó, por favor… como sempre fizeste, de cada vez que eu tinha uma aflição e deitava a cabeça no teu colo e tu calmamente me fazias adormecer.
Um beijo minha avó… até sempre… um dia voltarei a adormecer no teu colo, embalada pelo teu Amor.

Janeiro 1981

VEM DEVAGAR

Vem devagar
Amor
Devagarinho
Com o som calmo e meigo
Da tua voz
Quando estou só,
No meio da multidão
Triste e sem certeza.
Quando sinto em mim
O calor morno dos teus lábios
Numa ternura calma.
Vem devagar
Amor
Devagarinho
Fala-me baixo
Amor
Muito baixinho
Fala-me sem palavras
E ama-me com gestos.
Serenamente
Amor
Tranquilamente
Como quem fecha os olhos
Ao som do crepúsculo
Numa melodia de silêncio
Que mais ninguém ouve
Senão tu e eu.

domingo, 24 de outubro de 2010

POEMA PARA UM ORIXÁ:

Um olhar sereno
Num retrato imóvel,
Um misticismo quente…
Como o Sol alentejano,
Que eu revejo
Noite após noite.
Sentada numa mesa,
Numa penumbra imaginária
Ao som de um Nocturno de Chopin
Num silêncio cúmplice e doce.
Um encontro subtil
Da Natureza solitária de um Orixá
Com a alma sonhadora
De uma Iemenjá, perdida no tempo…
Queria, que um par de asas
Me desse a liberdade de um sonho
Porque o Futuro…
Pertence àqueles na acreditam
Na beleza dos seus sonhos.

Chopin Nocturne op posthum

O TEJO E EU

Olho-te de longe,
Calmo e verde.
Mergulho o meu olhar
Na tua profundidade
Para sentir o teu abraço…
Fecho os olhos,
Para me sentir ao colo
E acalmar a minha ansiedade
Na procura do meu EU…
Sonho acordada
Na expectativa da partilha.
Notas de música…ecoam
Procurando a serenidade disfarçada,
Porque a paixão, não é serena
Galopa veloz nas minhas veias.
Continuo a olhar-te…
E de longe, mergulho…
Deixando-me ir
Ao sabor da corrente.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

PRAIA - ROSA ESPERANÇA - Publico o vosso video, com um orgulho imenso por todas vós, que dão a cara por esta luta, e por todas as mulheres anónimas, que lutam em silêncio contra o cancro da mama ... Um beijo cheio de ternura.

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA

Eu sempre falei pelos “cotovelos” e era um desastre quando era miúda, onde punha as mãos, era certo e sabido que estragava!
A minha avó, que eu amava e amo profundamente, esteja ela onde estiver…(sei que me vê e ouve, sempre...) dizia com toda a ternura do mundo e sem nunca se zangar – esta criança tem uns pulsos e mãos tão pequeninas, mas estraga tanto – sorrio sempre quando me lembro da expressão dela!
Azougada e espanta a caça, é como eu me lembro de mim mesma, cheia de energia, mas como me era proibido ir brincar para a rua, proibição absoluta imposta pelo meu pai – a rua é para os rapazes, a casa é para as raparigas – lá ia eu entre o pátio da escola e as 3 assoalhadas da casa, extravasando as energias.
Lembro-me como se fosse hoje, termos ida um dia visitar a minha avó, que vivia com a minha tia Nita, e eu ter saltado pela janela da casa de banho, que dava para o hall – asneira – no hall mesmo por baixo da referida janela, havia uma arca em madeira com um elefante grande de loiça, claro que ao saltar, lembrei-me lá eu do elefante!!! Saltei e pronto, elefante no chão…pronto, lá levei uma surra da minha mãe, perante o constrangimento aflito da minha avó, que sempre me defendia, fosse em circunstâncias fosse.
Os meus irmãos, eram mais novos, andavam – enquanto pequenos – a reboque da mais velha.
Depois cresceram e juntos, pregavam-me as partidas mais incríveis – que saudades desses tempos - .
Saí debaixo das saias da mãe, aos 7 anos (meio bicho do mato, por falta de convivência com outros miúdos, apenas me era permitido as brincadeiras com o meu mano Jorge, porque o Zé Luís, vinha a caminho…)para ingressar no dia 20 de Outubro, na 1ª classe. Entrei atrasada, porque tive sarampo.
Lá fui, meio amedrontada, pela mão da minha jovem mãe, para aquele mundo novo…(a minha mãe tinha apenas 22 anos, e eu toda orgulhosa dizia que tinha a mãe mais nova da escola..)
Fui para uma escola da Voz do Operário, onde havia as 4 classes todas juntas na mesma aula, senti-me deslocada e aflita, as miúdas da 1ª classe já se conheciam todas, e eu entrei de penetra 12 dias mais tarde, sentia-me observada por todos aqueles rostos desconhecidos, alguns dos quais, pouco amistosos…
Tudo era novidade e enquanto as mais velhas iam para o quadro ou para o mapa de Portugal apontar os rios e as serras, eu em vez de fazer as letras no caderno, ficava a olhar para elas, é evidente que às 4h da tarde, a D.Isaura, era esse o nome da minha professora, não me deixava sair e lá ficava eu a chorar,  sozinha com ela a fazer o que faltava…
Enfim…isto foi nos primeiros dias, porque assim que me habituei, larguei as lágrimas  e comecei a falar pelos cotovelos…e a pintar a manta nos intervalos da aula!
Tenho imagens tão nítidas desse tempo…um dia deste escrevo mais.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

UM OPERARIO EM CONSTRUÇÃO

Hoje ao ouvir este poema de de Vinicio de Morais, declamado magistralmente pelo Saudoso Mário Viegas, pergunto-me onde andam os OPERÁRIOS deste País???



Diário da República nº 28 - I série- datado de 10 de Fevereiro de 2010 -
RESOLUÇÃO da Assembleia da República nº 11/2010.


Poderão aceder através do site http://www.dre.pt/


Algumas rubricas do orçamento da Assembleia da Republica

1 - Vencimento de Deputados ...........................12 milhões 349 mil Euros
2 - Ajudas de Custo de Deputados........................2 milhões 724 mil Euros
3 - Transportes de Deputados ...........................3 milhões 869 mil Euros
4 - Deslocações e Estadas ..............................2 milhões 363 mil Euros
5 - Assistência Técnica (??) ...........................2 milhões 948 mil Euros
6 - Outros Trabalhos Especializados (??) ...............3 milhões 593 mil Euros
7 - RESTAURANTE,REFEITÓRIO,CAFETARIA..............961 mil Euros
8 - Subvenções aos Grupos Parlamentares.................970 mil Euros
9 - Equipamento de Informática .........................2 milhões 110 mil Euros
10- Outros Investimentos (??) ..........................2 milhões 420 mil Euros
11- Edifícios ..........................................2 milhões 686 mil Euros
12- Transfer's (??) Diversos (??)......................13 milhões 506 mil Euros
13- SUBVENÇÃO aos PARTIDOS na A. R. ..................16 milhões 977 mil Euros
14- SUBVENÇÕES CAMPANHAS ELEITORAIS ....73 milhões 798 mil Euros


Em resumo e NO TOTAL a DESPESA ORÇAMENTADA para o ANO de 2010, é : EUR 191 405
356,61 (191 Milhões 405 mil 356 Euros e 61 cêntimos) - Ver Folha 372 do
acima identificado Diário da República nº 28 - 1ª Série -, de 10 de
Fevereiro de 2010.

Vamos lá então ver se isto agora já o começa a incomodar um "bocadinho".
Repare:

Cada deputado, em vencimentos e encargos directos e indirectos custa ao
País, cerca de 700.000 Euros por ano. Ou seja cerca de 60.000 Euros mês.


E depois pedem sacrifícios ao povo.
Quando é que nos levantamos e pomos estes "senhores" na linha???

Operário em Construção

sábado, 16 de outubro de 2010

ENCOSTA DE LUZ

Queria saber escrever
O sentir do verbo Amar!
Queria conseguir pintar
O que me vai no coração!
Palete de cores
Onde o laranja do pôr-do-sol
Se confundisse com o vermelho da paixão,
Com o branco da pureza
E o amarelo do calor do Sol.
Mas não sei pintar…
Talvez nem escrever,
Apenas sei sentir
No silêncio de um olhar
Na união das nossas mãos
No estremecer de um abraço!
Ah… como eu queria que entendesses
Que acreditasses sem medo
Que não sou igual a ninguém
E
Que o teu coração batesse
Ao compasso do meu
De mão dada, numa Encosta de Luz

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Há interrogações que são ciclíca...

UMA INTERROGAÇÃO…

Hoje ao acordar…
Senti a estranha sensação do nada
E fiz de novo a pergunta
Afinal…
Para que é que eu acordo?
Nada me espera…
Nem faço falta a ninguém !
Duas pernas apenas
Que carregam um mundo de sentimentos
Que não servem para nada,
Que eu teimo em querer dar
E ninguém quer receber.
Sinto saudades
Do tempo eu que eu sonhava
E achava que eles se realizavam.
Afinal…
Olho para trás e nada construí
Olho para a frente
E  só o vazio me espera.
Não há tempo para o meu tempo
E cada dia é mais difícil
Viver sem pertencer a nada
Sem ouvir um som…
Uma palavra que me agarre…
Tenho dias, como hoje
Que não me apetece continuar…
Afinal…
Para que é que eu acordo???


                    15/12/2009

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

VIVER DESPENTEADA...(Dei um sorriso, numa noite em que me sinto tão gelada...)

Decidi aproveitar a vida com mais intensidade... 
O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é bom, engorda.  O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto, enruga. 
E o que é realmente bom nesta vida, despenteia...
 - Fazer amor - despenteia.
- Nadar - despenteia
- Pular - despenteia.
- Tirar a roupa - despenteia.
- Brincar - despenteia.

- Dançar - despenteia.
 - Dormir - despenteia.

- Beijar com ardor - despenteia.

É a lei da vida: Vai estar sempre mais despenteada a mulher que decide andar na montanha russa, que aquela que decide não subir.

Por isso, a minha recomendação a todas as mulheres:

Entrega-te, come coisas gostosas, beija, abraça,
dança, apaixona-te, relaxa, viaja, salta,
dorme tarde, acorda cedo, corre, voa, canta, arranja-te para ficares linda, arranja-te para ficares confortável, 
admira a paisagem, aproveita, e acima de tudo:

Deixa a vida despentear-te!!!!

O pior que pode acontecer é que precises de te pentear mais vezes
(autor desconhecido)